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Sua teoria
(TAC - Teoria da ação comunicativa) discute a linguagem e
a formação da sociedade e as relações intersubjetivas entre
sujeitos pertencentes a um mundo social subjetivo-objetivo
que, posteriormente administrado, pauta as relações entre
indivíduos por uma lógica representada por hierarquias e interesses
de ganhos de poder e moeda. HABERMAS (1987) fundamenta sua
teoria em dois ambientes de relações humanas, baseados nas
interações sociais criadas e legitimadas de acordo com os
interesses do coletivo e do meio em que este opera.
O primeiro ambiente é o "mundo da vida", no qual as formas
de interação seriam pautadas em leis universais de preservação
da vida e em interações espontâneas entre sujeitos, subsidiadas
pela cultura própria da sociedade à qual pertencem. Esse ambiente
se caracteriza por agrupar relações entre sujeitos através
da Ação Comunicativa.
As interações entre indivíduos se dão com o objetivo de troca
de informações na busca por consensos, sem segundas intenções,
preservando os valores fundamentais culturalmente adquiridos.
O segundo ambiente se dá no interior dos "sistemas" que surgem
através da complexificação da sociedade e onde a linguagem,
a interação e a subjetividade (mundo da vida) são para uso
estratégico, numa relação entre desiguais, onde um detém o
poder sobre o outro. Aqui se estabelece a razão sistêmica
caracterizada por uma racionalização do social de acordo com
princípios do Estado e da economia, imprimindo formas de relação
estratégicas entre os envolvidos. A Ação Estratégica leva
o sujeito à perda de sua autonomia e individualidade, através
de um processo de burocratização das relações, que se apodera
dos processos espontâneos de formação de opinião, fazendo
com que os indivíduos ajam de acordo com o meio.
Apresentados os dois ambientes definidos, torna-se possível
uma associação destes com a empresa e o esporte.
O ambiente empresarial contempla ações estratégicas derivadas
da colonização do mundo da vida, artificializando as relações
entre sujeitos e expressando atos de poder e submissão. Isso
decorre das relações burocráticas próprias desse meio, da
necessidade de aumento de produtividade do trabalhador e da
cobrança e responsabilidade que a competitividade do mercado
impõe.
A empresa não compõe exatamente um coletivo, mas deve ser
percebida como um conjunto de alianças temporárias e variáveis.
Todos os seus membros determinam planos individuais de ação
e articulam alianças em função de objetivos pessoais.
A forma de interação então não constitui necessariamente um
meio de integração social positivo entre funcionários da mesma
empresa, pois as relações são determinadas pelos interesses
de ganhos individuais e as ações de cooperação se dão a partir
de uma lógica estratégica ou, em outras palavras, a cooperação
só pode ocorrer nos limites da superposição de interesses
individuais.
É possível observar a ocorrência de ações de cooperação e
competição entre colegas, pois se trata de um ambiente estratégico.
A primeira exemplifica mais facilmente a colonização do mundo
da vida, pois não se dá de forma totalmente voluntária e livre
de coerção, mas de acordo com objetivos externos como o lucro
e ascensão profissional. As ações se baseiam nos interesses
pessoais e cada indivíduo se comporta como adversário, ou
parceiro, dos sujeitos à sua volta de acordo com a estratégia
a ser adotada.
Nota-se que há uma complexidade nessas relações, pois um ambiente,
por mais estratégico que seja, acarreta ações cooperativas
em certas ocasiões.
A empresa deve ser vista como um grande conjunto de grupos
mutáveis, que se contrapõem e se associam conforme as exigências
de cada conjuntura. Nesse contexto, o membro da organização
participa concomitantemente de vários grupos, sempre priorizando
a busca racional de seus objetivos pessoais.
É de interesse da empresa que, além de buscar seus próprios
objetivos pessoais, o indivíduo saiba agir de acordo com os
objetivos da corporação, e trabalhe para que esta permaneça
saudável. Isso demanda ações cooperativas entre os funcionários.
Esporte na empresa competição e cooperação na empresa é o
fato de os sujeitos envolvidos agirem de acordo com seus objetivos
pessoais, embora de acordo com as normas e necessidades da
empresa. Para isso, é importante que o funcionário tenha uma
relação saudável com os propósitos e a marca da instituição
que o emprega, sinta-se importante e usufrua de condições
favoráveis para a execução de seu trabalho.
Nesse ambiente se estabelece uma inter-relação mútua entre
empregado e empresa. Por um lado, a empresa necessita de funcionários
capacitados, motivados e em condições de saúde clínica e emocional
ótimas para exercerem suas respectivas funções com alta produtividade.
Por outro, o empregado necessita de condições favoráveis para
a produção, tanto em relação ao local quanto à carga e ao
ambiente social de trabalho. O fato de que um ambiente que
visa exclusivamente o aumento da produtividade e a busca por
lucros, e desconsidera o empregado como um ser humano integral,
corre o risco de prejudicar a saúde e a capacidade de produção
de seu pessoal. Num processo de produção pautado nesses objetivos,
é possível observar a utilização do Homem como uma ferramenta,
ou "Organismo morto", que funciona à base do estímulo- resposta.
O fato de que a cobrança exagerada e a necessidade de lucratividade,
assim como o ambiente empresarial muito competitivo, exercem
influência negativa sobre a saúde psicológica e social dos
funcionários. É possível afirmar que esse ambiente opera como
um dificultado para a manutenção do bem-estar do funcionário
em seu local de trabalho, diminuindo sua capacidade de produção.
É do interesse da empresa, na busca por maior produtividade,
que os funcionários sintam-se bem no ambiente de trabalho,
e que esse bem-estar advenha não somente de saúde clínica,
mas também de interações sociais positivas entre colegas.
A manutenção do bem-estar e qualidade de vida dos empregados,
além de estar relacionada às formas de comunicação, é necessária
para uma maior identificação do funcionário com seus colegas
e local de trabalho. Muitas empresas consideram essa idéia,
e investem em programas de qualidade de vida para seus funcionários.
A prática direcionada de atividade física pode colaborar com
a melhoria das interações sociais entre colegas. Essa inserção
consiste em solidificar as relações pessoais e influenciar
as formas de comunicação, melhorando a capacidade de produção
dos empregados.
Ao desenvolver um programa de atividade física na empresa,
é preciso considerar não somente os benefícios fisiológicos
do mesmo, mas também buscar atender a outros níveis de exigência
do ser humano. Tais níveis dizem respeito a necessidades de
relacionamento, bem-estar e auto-estima. As estratégias utilizadas
para a promoção de bem-estar, manutenção da saúde, integração
social e uma identificação maior dos funcionários com a marca
da empresa são muitas. A prática esportiva se apresenta como
uma dessas possibilidades, pois o esporte é um fenômeno social
que além de incentivar a atividade física, promove interação
social e influencia no relacionamento e nas formas de comunicação
entre os participantes.
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