Esportes nas empresas: Complexidade da integração interpessoal

Esporte na empresa

Relação esporte / ambiente empresarial Segundo, a primeira manifestação de atividades esportivas no âmbito interno de empresas no Brasil é creditada à Fábrica de Tecidos Bangu, sediada no Rio de Janeiro, em 1901. Nessa ocasião, empregados da empresa jogavam futebol num campo estabelecido no mesmo terreno da fábrica.

A partir da década de 1930, eventos como estes ocorriam no Brasil em empresas que ofereciam opções de lazer e esporte a seus empregados, porém, através de clubes subvencionados. Tais clubes receberam o nome de "Associações Desportivas Classistas" e, embora nem todos estejam localizados no terreno da empresa, representam um espaço de lazer e entretenimento para o funcionário e sua família.
Em pesquisa relacionada à empresa Singer, que a principal razão de adesão dos funcionários ao clube da entidade é a possibilidade de prática esportiva. De acordo com a publicação "Esporte e lazer na empresa", do Ministério da Educação do Brasil de 1990, a principal atividade desenvolvida nos clubes subvencionados a empresas é a de caráter esportivo.

O esporte se coloca como uma forma de promover práticas voltadas à melhoria da qualidade de vida dos indivíduos no ambiente da empresa, além de funcionar como uma prática de aproximação entre funcionário-empresa.

Porém, a simples ocorrência de atividades esportivas não garante que seja desenvolvido um sentimento de integração entre colegas, a identificação com o local de trabalho, o desenvolvimento da individualidade e auto-estima do empregado. É importante que haja, por parte dos organizadores de atividades esportivas, conhecimento específico a respeito dos valores e das formas de manifestação do esporte.

Num ambiente em que as atividades esportivas de lazer são pautadas em normas do alto-rendimento, valores como o individualismo, a rivalidade e a segregação podem vir a ser transmitidos, pois esse modelo valoriza os vencedores em detrimento das opiniões, à não-rivalidade, à cooperação e à integração entre indivíduos que se inter-relacionam.

Quanto à ação estratégica, além dos valores referentes à rivalidade, segregação, concorrência, sobrepujança ao adversário, valorização do resultado e alcance dos objetivos (vitória) a qualquer custo, também podemos perceber a colonização das características da ação comunicativa. Nota-se certa relação entre os valores do esporte de alto-rendimento e as ações estratégicas, e os valores do esporte como lazer e as ações comunicativas. Porém, isso não é tão simples. No esporte de alto-rendimento é possível observar ações cooperativas entre colegas, assim como não é difícil flagrar momentos de rivalidade e competição exacerbada em ambientes pautados no esporte como lazer. Estabelece-se nessa relação certa complexidade entre cooperação e competição no esporte, assim como de ações comunicativas e estratégicas, já que na realidade concreta as relações não se mostram tão exatas e definidas. Toda situação de interdependência entre dois ou mais indivíduos contém o jogo social expresso em: a) Processo associativo: cooperação, acomodação e assimilação; b) Processo dissociativo: competição e conflito. Ambos os ambientes, esportivo e empresarial, apresentam formas complexas de relação, pautadas em ações cooperativas e/ou competitivas. A Cooperação é um processo onde os objetivos são comuns, as ações são compartilhadas e os resultados são benéficos para todos; A Competição é um processo onde os objetivos são mutuamente exclusivos, as ações são individualistas e somente alguns se beneficiam dos resultados.

Tanto no esporte quanto no ambiente empresarial, a competição se faz presente. No primeiro, em muitos casos, como uma condição para a ocorrência da prática, e no segundo, devido à constante busca por lucro e ascensão. Por outro lado, a cooperação é importante, pois mantém os parâmetros mínimos para a prática esportiva e, no caso da empresa, os indivíduos precisam trabalhar de forma associada e em benefício da corporação. A partir do ponto de vista das semelhanças a respeito das formas de comunicação e inter-relação dos sujeitos envolvidos no esporte e na empresa, é possível percebê-los e analisá-los de acordo com os valores e objetivos desses ambientes, e a possibilidade de influência de um sobre o outro perdedor. Pode-se notar aqui toda a complexidade da relação, pois a necessidade de buscar a vitória pode gerar entre os participantes uma competição excessiva, mas por outro lado, também exige ações cooperativas. Essas ações podem ser expressas tanto entre colegas de equipe que se ajudam na busca pela vitória, como entre grupos adversários que precisam agir dentro das normas estabelecidas, colaborando para manter a disputa dentro de uma legalidade definida, legitimando assim o futuro vencedor.

Já a prática esportiva pautada em normas do esporte de lazer ressignificado sugere ações cooperativas em suas atividades, visto que o objetivo é promover um processo de atividade esportiva independente da nomeação de melhores ou piores, vencedores e perdedores. Convém observar que nesse tipo de atividade podem também ocorrer ações competitivas, visto que a competição é intrínseca ao esporte, e em alguns casos, como os esportes coletivos, por exemplo, existe a necessidade da presença de um oponente para a realização da prática. Num ambiente em que os valores do esporte ressignificado não estejam solidificados, indivíduos podem vir a tomar atitudes não-condizentes com o ambiente em que se encontram, e a rivalidade e o excesso de competitividade se tornarem mais presentes do que ações de cooperação. Nota-se que as atitudes de rivalidade transformam os valores transmitidos pela prática ressignificada, descaracterizando-a. Mora aí a inserção do profissional responsável pela atividade, com o intuito de conduzi-la de modo a preservar os objetivos e valores ressignificados propostos pela prática. Portanto, para a ocorrência de um ambiente pautado no esporte de lazer ressignificado, a simples alteração de regras não se faz suficiente. É preciso que os propósitos da prática sejam adaptados, transmitindo valores apropriados.

Essa mesma complexidade pode ser observada também no ambiente empresarial, embora seja mais fácil relacionar esse meio com as normas do esporte de alto rendimento do que com o esporte de lazer ressignificado. Levando em conta que no ambiente empresarial não há interação perfeitamente cooperativa ou conflitante, mas que as relações cooperativas tendem a ser mais estáveis no tempo, essa complexidade de relações, similar à que se encontra no ambiente esportivo, ilustra a possibilidade de aproximar a prática esportiva e a empresa.

A intenção aqui, não é solucionar as diferenças entre ações cooperativas, e competitivas nos ambientes analisados, mas destacar a importância e a complexidade da adoção do esporte enquanto atividade que pode, através de práticas monitoradas por especialistas; transmitir valores que interfiram, otimizem e potencializem as relações de comunicação entre os funcionários de uma empresa e estreitem os laços empresa- empregado, baseando-se na similaridade entre os dois ambientes (empresarial e esportivo) quanto às formas de comunicação entre os sujeitos envolvidos. Possibilidade de inserção do esporte em programas de qualidade de vida na empresa.

As instituições empresariais, no intuito de estabelecer um ambiente positivo para a produtividade dos funcionários através de participação comunicativa dos sujeitos, têm como uma das principais responsabilidades o compromisso com o crescimento e a realização pessoal dos seus membros. Isso implica na melhoria de condições de trabalho, desde a preocupação com a manutenção da saúde clínica e de bem-estar dos funcionários, até às formas de relacionamento e comunicação interna da empresa. A idéia é chamar a atenção para um aspecto da prática de atividade física nas organizações que não diz respeito apenas aos efeitos e transformações fisiológicas e de prevenção de doenças clínicas, mas refere-se também às relações sociais entre os sujeitos e sua interferência na capacidade de trabalho do funcionário.

Uma das questões pertinentes à qualidade de vida dos empregados é a relevância de alguns níveis de exigência do ser humano, como necessidade de relacionamento, bem-estar no ambiente de trabalho e manutenção de sua auto-estima.

Ao adotar programas de qualidade de vida, a empresa deve atentar para as atividades que estão sendo propostas e como estão sendo aplicadas.

O esporte é uma forma de atividade física que, além de auxiliar na promoção do anti-sedentarismo e de benefícios à saúde clínica, pode incentivar formas de relacionamento saudáveis entre os participantes, através da transmissão de valores que privilegiem a cooperação e interação positiva.

A inserção do esporte na empresa, através dos clubes subvencionados, pode ser facilitada pelas similaridades a respeito das formas de relacionamento entre o ambiente esportivo e empresarial.

Por se tratar de um meio extremamente competitivo e pautado em ações estratégicas, o ambiente empresarial não carece de reforçar sentimentos de competição, segregação e comparação entre os funcionários nos seus programas de promoção e manutenção de qualidade de vida.

Muito pelo contrário, sendo o esporte uma atividade realizada fora do ambiente de trabalho, com o intuito de promover melhores interações sociais entre os participantes, é conveniente que transmita valores de cooperação e de ações comunicativas. Isso é possível através de práticas que valorizem o processo e não somente o resultado da atividade esportiva. Tais atividades são pautadas no esporte de lazer ressignificado, no qual as regras e normas do alto rendimento, assim como seus valores, não são necessariamente adotados.

Para que esta proposta tenha sucesso é necessário, em primeiro lugar, a presença de profissionais qualificados para a promoção de atividades esportivas próprias para tais objetivos, pois a simples aplicação de atividades não se faz suficiente. É necessário, para um processo de comunicação positivo entre promotor da prática e praticantes, que haja um conhecimento a respeito de valores transmitidos pelo esporte e seus significados.

O esporte pode ser promovido através de duas formas de atividades, Formais e Não-formais:

Formais (Objetivam a forma física): Maior representação externa da empresa; Orientada para disciplina e regularidade; Maior custo per capta no atendimento; Abrangência menor na população da empresa; Regulada por legislação (esporte e Educação Física); Resultados diretos mensuráveis.

Não-formais (Objetivam o bem-estar): Maior atendimento com menor custo; Ênfase no voluntário e na participação; Inclui familiares dos empregados; Admite adaptação nas instalações e áreas da empresa; Permite participação da comunidade local, fornecedores ou contratantes; Compartilha instalações e programas com atividades de lazer, reduzindo custos; Resultados indiretos mensuráveis. Em relação às atividades formais, caracterizadas por seguirem de forma integral as normas de procedimentos do alto-rendimento, nota-se que abrangem um número menor de pessoas na empresa, pois esse modelo exige do participante um nível competitivo de performance esportiva. Esse fator sugere valores de segregação e rivalidade entre participantes, podendo agir de forma desestimulante à prática. Não defendemos a abolição deste tipo de atividade, mas a sua adaptação às necessidades de relacionamento do público participante.

Tomemos como exemplo a substituição de "torneios internos", que buscam nomear vencedores e segregar bons de ruins, por "festivais internos", que venham a incorporar valores próprios do esporte ressignificado, nos quais os participantes têm as mesmas oportunidades de participação e o processo de prática no evento é mais valorizado do que o resultado do mesmo, já que este último, não objetiva a nomeação de vencedores. É importante destacar que a intenção não é excluir a competição da prática esportiva, mas sim, ressignificá-la, desvalorizando- a em relação às possibilidades de práticas ocorridas durante o processo da atividade. As atividades não-formis, se fundamentadas nos princípios do esporte ressignificado, com o objetivo de transmissão de valores próprios, caracterizam-se pela re-criação, adaptação, e alteração de regras próprias do esporte de alto-rendimento e privilegiam a cooperação entre os participantes. Como exemplo desse tipo de atividade, utilizaremos um jogo de voleibol. Se praticado sob as normas do alto rendimento, pode vir a prejudicar a participação dos indivíduos, devido à exigência técnica, segregação entre bons e ruins, e contagem rápida de pontos que podem acelerar o fim de uma partida. Através da adaptação de regras, materiais e dos valores da prática, é possível facilitar a participação de todos, promovendo a inclusão e cooperação entre os participantes. Por exemplo, o uso de uma bola mais leve, que demora mais a cair, formas adaptadas de regras e contagem de pontos, revezamento de equipes no jogo desvinculado do resultado das partidas e apoiado no princípio de proporcionar e facilitar o maior tempo possível de participação a todos os envolvidos.

O intuito de qualquer adaptação de regras e ressignificação de valores é proporcionar maiores possibilidades de participação para indivíduos com diferentes níveis de habilidade e conhecimento do jogo, além de valorizar as ações do grupo e desvalorizar o resultado final da disputa, visto que a determinação e o destaque de um vencedor muitas vezes não se fazem necessária.

A partir de um processo de ressignificação, o objetivo dos participantes deixa de ser unicamente a vitória, mas principalmente a manutenção da realização do jogo pelo maior tempo possível, e a facilitação da participação ativa de pessoas com características diferentes.
home | quem sou | serviços | produtos | squash | ranking | pra você | depoimentos | foto | vídeo | clipping | parcerias | localização | contato
Desde 1998® Marino Squash | todos os direitos reservados | política de privacidade | melhor visível 1024 x 768 pixels